Caríssimo,
Deixa que te trate assim, ao fim e ao cabo, sou pouco mais novo e o "fim do teu filme" poderia bem ter sido o fim do meu. Não quero, nem posso, nem devo por imperativo de consciência, fugir à dívida de gratidão que tenho para contigo. Embora não tenhamos privado muito, pessoalmente, sempre acorri ao teu projecto-filho o quarteto. Aquela atracção que eu sentia pelo cinema, cresceu, maturou, refinou e sofisticou-se com a exposição da minha pessoa à programação do Quarteto. Nos anos distantes de 74, 75, 76 e seguintes a excelência de uma programação excelente deu-me a oportunidade de mergulhar fundo em cinematografias que antes de 1974 (25 de Abril) eram para nós raras quando não inacessíveis. A paixão pelo menu do Quarteto fez como que muitos fins de semana as luzes do Cinema brilhassem para mim ao ritmo de 5 a seis sessões de cinema diário, isto sem falar nas directas que a programação do Quarteto nos proporcionava, de vez em quando. Assim, para mim, pensar e falar em Cinema implica falar em Quarteto e, consequentemente, em Pedro Bandeira Freire. Estou decepcionado com parte da família cinéfila, mas, sobretudo, com os poderes públicos, que em minha opinião te desmereceram. Quer-me parecer que há muitos corações que tu habitas e ainda vais habitar de forma directa pela memória cinéfila, e no coração de crianças "velhas como eu" que ainda se comovem ao som da canção "Sábado à tarde num cinema... mal as luzes se apagavam, acendia o coração. ... Amigo, é assim que te quero recordar "no escurinho do Quarteto, com o ruído da fita de celulóide que desliza e com o coração a acender e apagar". Até sempre PBF
Deixa que te trate assim, ao fim e ao cabo, sou pouco mais novo e o "fim do teu filme" poderia bem ter sido o fim do meu. Não quero, nem posso, nem devo por imperativo de consciência, fugir à dívida de gratidão que tenho para contigo. Embora não tenhamos privado muito, pessoalmente, sempre acorri ao teu projecto-filho o quarteto. Aquela atracção que eu sentia pelo cinema, cresceu, maturou, refinou e sofisticou-se com a exposição da minha pessoa à programação do Quarteto. Nos anos distantes de 74, 75, 76 e seguintes a excelência de uma programação excelente deu-me a oportunidade de mergulhar fundo em cinematografias que antes de 1974 (25 de Abril) eram para nós raras quando não inacessíveis. A paixão pelo menu do Quarteto fez como que muitos fins de semana as luzes do Cinema brilhassem para mim ao ritmo de 5 a seis sessões de cinema diário, isto sem falar nas directas que a programação do Quarteto nos proporcionava, de vez em quando. Assim, para mim, pensar e falar em Cinema implica falar em Quarteto e, consequentemente, em Pedro Bandeira Freire. Estou decepcionado com parte da família cinéfila, mas, sobretudo, com os poderes públicos, que em minha opinião te desmereceram. Quer-me parecer que há muitos corações que tu habitas e ainda vais habitar de forma directa pela memória cinéfila, e no coração de crianças "velhas como eu" que ainda se comovem ao som da canção "Sábado à tarde num cinema... mal as luzes se apagavam, acendia o coração. ... Amigo, é assim que te quero recordar "no escurinho do Quarteto, com o ruído da fita de celulóide que desliza e com o coração a acender e apagar". Até sempre PBF